Necessidades nutricionais para idosos

Hoje os idosos representam cerca de 13% da população brasileira e estudos realizados revelam que até no ano de 2050 eles representaram cerca de 30% da população. É por este motivo que cada dia se torna mais importante entender quais são necessidades que os idosos enfrentam no quesito saúde. Hoje já se sabe que os principais déficits dos idosos são as vitaminas e minerais.  Embora existam numerosos estudos que tentam determinar quais as necessidades vitamínicas nos idosos e também qual a relação destas com determinadas patologias, essa correlação é difícil de estabelecer porque há muitas variáveis nos grupos estudados que condicionam a generalização dos resultados. Os estudos abrangem populações idosas heterogêneas, uns englobam pessoas autônomas e saudáveis, outros indivíduos hospitalizados, com várias patologias e com polimedicação que interfere com a absorção de nutrientes. Por outro lado, também não há concordância sobre os valores “normais” que devem ser recomendados. No entanto, há certas conclusões que são consensuais:

  • As vitaminas ingeridas pelos idosos são frequentemente inferiores ao que seria desejável;  
  • Há certos estados clínicos em que os doentes melhoram quando são administrados suplementos vitamínicos, o que reforça a teoria de haver uma relação entre eles;
  • Há vários fatores que potenciam um déficit vitamínico e que se conjugam  frequentemente nos idosos  
  • Ingestão de valor energético total fraco. É muito freqüente que, por dificuldades   de mastigação ou deglutição, deficiente salivação (boca seca) ou outros problemas bucodentários os idosos vão restringindo a quantidade de alimentos que ingerem, logo, também a quantidade de micronutrientes. Também uma certa anorexia por perda de gosto, solidão, depressão, podem ter o mesmo resultado;  
  • Deficiências na preparação dos alimentos. Uma cozedura demasiado prolongada ou com excesso de água origina a perda de vitaminas, prejudicando o que deveria ser uma alimentação adequada. O mesmo acontece com sucessivos reaquecimentos, muito frequentes em quem vive só com dificuldade em se abastecer, por perda de autonomia ou carências econômicas
  • Necessidades superiores ao habitual por razões fisiológicas ou existência de patologias
  •  Perturbações de absorção e do metabolismo das vitaminas por patologias digestivas crônicas, interferências com medicamentos, alcoolismo, etc..

Dentre os déficits vitamínicos mais freqüentes nos idosos e já referidos em anteriormente, avulta o déficit em vitamina D. Sabendo da sua relação com a exposição da pele à luz solar, podemos associá-lo ao fator de o idoso diminuir a sua atividade no exterior e estar mais confinado ao seu domicílio, sobretudo se vive só em habitação com escadas, sem elevador, numa rua íngreme, etc.. Isto para além das alterações fisiológicas devido à idade já atrás referidas e que diminuem a produção desta vitamina.

Sendo a presença da vitamina D importante para a absorção de cálcio pelo organismo, há aqui um importante fator de risco de osteoporose, de quedas e de fraturas, sobretudo do colo do fêmur. Em muitos inquéritos se tem verificado a baixa incidência de ingestão de suplementos vitamínicos, que tem algo a ver com uma deficiente avaliação nutricional dos idosos. Por outro lado, mesmo quando são prescritos, muitas vezes são vistos pelo idoso como supérfluos em relação a outros medicamentos, sobretudo em época de grandes dificuldades econômicas, como a que se vive atualmente. É este um fator bem conhecido de todos os farmacêuticos, que se confrontam com ele quase diariamente. Por contraste, há uma parte da população que, sem esses constrangimentos econômicos, se “auto-prescreve” esses suplementos de forma indiscriminada.

O marketing farmacêutico, atento a esse nicho de mercados, promove todo o tipo de suplementos, em campanhas que chegam a recomendar um produto que contém “vitaminas e minerais de A a Z”, sendo o A a vitamina A e o Z o zinco. Raciocinando, facilmente se conclui que nem todos os indivíduos precisarão da mesma forma destes micronutrientes “de A a Z”, correndo-se até o risco de provocar desequilíbrios perigosos para a saúde. Os suplementos vitamínicos são importantes em certos casos, mas devem ser prescritos por alguém especializado nessa área e depois de uma avaliação séria das necessidades nutricionais do indivíduo.

Implementação de soluções em ambientes familiares

Alguns cuidados na aquisição de gêneros alimentícios podem resultar numa alimentação mais equilibrada:

  • Ao comprar produtos hortícolas, juntar uns de maior durabilidade com outros mais facilmente perecíveis, que serão consumidos em primeiro lugar. Fazer o mesmo com as peças de fruta mas atendendo também ao seu grau de maturação. Diferentes graus de maturação permitirão um consumo diferenciado ao longo de vários dias;
  • É importante que não se comprem sempre os mesmos produtos. A variedade é essencial para a ingestão dos nutrientes mas, por hábito ou por preferências, há por vezes a tendência para adquirir quase sempre os mesmos produtos;
  • O local onde são feitas as compras também é importante. Nas pequenas mercearias de bairro (se as houver) é mais fácil encontrar fruta de menor calibre e, portanto, mais barata, do que nos supermercados ou nas grandes superfícies, além de que normalmente é mais saborosa por ser colhida numa fase de maturação mais avançada e ter menos tempo de transporte ou de refrigeração.

O mesmo se passa com outros produtos. É difícil, por exemplo, encontrar uma couve-flor pequena ou limões pequenos num grande supermercado. Ora para um idoso que viva só, ou quase só, não são precisas grandes quantidades, além de que pequenas quantidades são mais fáceis de transportar e permitem variar mais. Também é conveniente pedir para fracionar os alimentos em pequenas quantidades.

Estas sugestões tanto servem para o idoso que faz as suas compras como para os seus familiares ou cuidadores, quando são estes que as fazem. Quanto à confecção dos alimentos há também alguns aspetos a ter em conta:

  • Podem ser cozinhados para mais do que uma refeição (é mais econômico), sendo depois repartidos em pequenas porções que podem ser congeladas;
  • Podem ser usadas ervas aromáticas para temperar, compensando a redução de sal e tornando a comida mais apetitosa;
  • As sopas, que nunca devem ser esquecidas, não devem ser totalmente passadas (tipo creme), a não ser que haja dificuldades de mastigação ou deglutição. A mastigação estimula a salivação e, sabe-se hoje, tem influência na atividade do hipocampo, região do cérebro importante para a manutenção das funções da memória e aprendizagem. No entanto, a trituração completa dos componentes da sopa é muito usada por ser um processo muito fácil e rápido.

Os cuidadores do idoso devem estar atentos a variações anormais do seu peso corporal ou das porções ingeridas. Se não for possível manter a quantidade, fortalecer as refeições, por exemplo, com leite em pó nas sopas, batidos, etc. Também o farelo de trigo pode ser utilizado facilmente para tornar as sopas mais nutritivas. E nunca esquecer a ingestão de líquidos, que é essencial sobretudo nos idosos. Para facilitar, pode ser feito pelo cuidador um cronograma simples que registre a quantidade e o tipo de alimentos e líquidos ingeridos. E (igualmente importante!), se for possível, acompanhar o idoso durante a sua refeição, conversando com ele, lembrando-lhe assuntos que o interesse, trocando impressões sobre algum programa de televisão (ou rádio, menos freqüentemente). Muitas vezes a televisão é uma grande companhia para o idoso que está só, e daí que sejam também muito importantes programas que falem de assuntos relacionados com os seus problemas e necessidades. É um meio eficaz de divulgação e aprendizagem onde o idoso interage e aprende muito mais.

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